POÇO DO MATO EM 1990

POÇO DO MATO EM 1990
TODAS AS FOTOS SÃO DA NECA MACHADO e possuem direitos autorais

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PIONEIRA

domingo, 28 de novembro de 2010

MULHER

MULHER DO AMAPÁ



Por: Neca Machado




Lá vem ela com seus pés descalços

E a mão cheia de calo

De tanto labutar,

Vem do Poço do Mato, Laguinho, Pacoval, Liberdade, Curiau, Santana, Oiapoque....

De todo lugar.

É ela: a menina, mulher, do cais, da Doca da Fortaleza e da beira-mar

É ela VENINA, Maria das Dores, Isaura, Leopoldina, Geralda, Niná...

Joana, Cunhã, Bebé, Nenê, Mundica, Joaquina, Zulma, Terezinha...

Para um amor, se entregar.

MULHER DO AMAPÁ, é

Corajosa, guerreira, parteira, curandeira, puxadeira, rezadeira...

Que sobe as ladeiras

Sem fraquejar.

Que luta, cansa, e descansa,

Enxuga o suor, sem reclamar.

E todo o dia, acorda e continua a caminhar.

De um lado pro outro, pra lá e pra cá.

SEU NOME É:

MULHER DO AMAPÁ.

Izabel da quitanda do bairro moreno

Geralda da esquina do Poço sereno

Venina da dança, e do requebrado.

Que se entregam ao prazer de uma cultura propagar.

Cunha de mãos benditas, curando mazelas.

Sem deixar seqüelas, em quem se machucou.

Dona Antonina, mulher da fé...

Nina, a Deusa da argila,

Que para o mundo o AMAPÁ revelou,

Criou sua ARTE no barro e na cor,

Seu talento especial nos deixou.

Embevecendo quem suas obras contempla,

E nos faz viajar por suas benditas rendas em uma argila tucuju

MULHER DO AMAPÁ

De doces lembranças

Na face e na esperança

Do aprender e do ensinar.

De prever e de profetizar.

É ela GUITA, da educação.

Da reza, da Santa, e da solidão.

Aracy Mont’Alverne, poetisa, bondosa, do lirismo e da trova.

E na culinária o sabor de uma especialista

com jeito de fada, Tia Bebé da Catedral.

Dos sonhos, dos doces, do tucupi, e da cor do açaí.

Lembrando Caty.

MULHER DO AMAPÁ

Onde está a saudade do olhar de Ester Virgulino

E a dança e a cor de uma negra mais bela, chamada Biló?

Que trás na herança, o nome famoso de Mestre Julião.

com o coração partido por não mais dançar sobre o chão.

Rodando bailados, em saias rendadas,

com cheiro de açucena e manjericão.

Hoje na lembrança e no fundo do coração.

Onde está o olhar e a voz rouca

Da Negra Maciça

Chamando Avhulu?

Fazendo um carinho

No neto de cor de ébano.

E deixando o olhar se perder

Sobre a luz.

Que a seduz...

MULHER DO AMAPÁ.

É coragem, é força, fortaleza, como a secular catedral.

Centenária, na sua ousadia de saber ser MULHER.

E SEMPRE leal,

AO NOME, A FAMILIA, AO AMOR...

Ao jeito de SER TUCUJU.

Na ousadia de saber ser MULHER,

Ser Tereza, Maria, Raimunda, Diquinha...

Negra, mulata, mestiça, franzina, cordata, audaz.

Andaluz, cheia de encanto e Magia.

De sonhos, e esperanças,

Fazendo do clarão do dia,

Sua eterna LUZ.

De pré-nome, nome e sobrenome.

MULHER.

QUE SE ORGULHA DE SER.

A MULHER DO AMAPÁ.

sábado, 27 de novembro de 2010

MEMORIAL


MEMORIAL POÇO DO MATO
Av. Mãe Luzia, 268 > Laguinho
Macapá-Amapá
necamachado@hotmail.com

No MEMORIAL POÇO DO MATO, MEMORIAL DA NECA, a cultura do Amapá vive e é VALORIZADA

Dados biográficos de PIONEIROS
Biografias de Artistas Plásticos do Amapá
Obras de Arte Amapaense
Literatura do Amapá
Musica do Amapá
Gastronomia
Referencias

É um verdadeiro CENTRO DE TRADIÇÕES DO AMAPÁ

Consultas devem ser agendadas e COBRAMOS PELA ORIENTAÇÃO
FOTOS possuem DIREITO AUTORAIS (TODAS SÃO DA AUTORA)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DICA

HOMENAGENS A UMA PIONEIRA AFRO

DICA CONGÓ

Por > Neca Machado
Em > 20.11.2010




Deste torrão nortista foste SENHORA AFRO orgulho de nossa gente.

E do folclore integrante importante.

Oh! Negra de olhos especiais
Na plenitude celeste és uma Estrela a nos iluminar

DICA CONGÓ

De saia rendada
De passos estreitos
Embalada pelo som do Batuque
Nossa Estrela afro.

Mulher libertaria
Guerreira fraterna
Com grito de força
A entoar cantos de nossa gente.

Mãe protetora de nosso Povo carente
De teus afagos
E de teu ardor.
Mestra de tua Comunidade.

Dos céus neste instante ecoa tua voz
Rouca de saudade.

Que os sons dos tambores ressoem
Por todo o Amapá
Para te louvar
Para te bendizer
Em cantorias
O nosso afeto e amor.

DICA CONGÓ

Que a cada bailado
Tua lembrança se eternize
No perfume das açucenas
E que o gosto forte da gengibirra
Permaneça em nossos corações
Como um sinal de tua passagem
Pelas nossas vidas.
E que a fé das ladainhas
Se imortalize na tua presença espiritual.

DICA CONGÓ

O Amapá tem orgulho de tua contribuição, e
Que teus filhos permaneçam altivos e senhores de teu legado.

OBRIGADO
A TODOS que continuam a respeitar a tua Historia.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

LENDAS

OS ENCANTOS DO POÇO DO MATO


A lata de manteiga bem ariada, é instrumento de trabalho de Nega Piedade, rebolando as cadeiras ela desce preguiçosa e com ares de princesa de ébano as ladeiras que circundam o entorno do POÇO DO MATO, cantarola sem letra uma canção indecifrável aos ouvidos dos mortais.
Ela retira com cuidado os cipós que atrapalham seu caminho e segue sorrateira como uma cobra a dar o bote. No lado esquerdo um pedaço de pano no ombro, puído pelo tempo e no braço direito a famosa lata de manteiga que serviria para levar o liquido precioso para os patrões degustarem após a ceia matinal e para ajudar nos afazeres domésticos.

Negra Piedade brilha na sua cor lustrada pelos raios dourados do sol que banham aquela manhã, e ela num misto de magia faz parte de uma aquarela. O POÇO DO MATO tornou-se inatingível, distante, e a negra no viço da idade não percebe, o canto do pássaro é sua companhia, e a caminhada é longa, ela levanta a blusa, mostra seus seios rijos ao sol e enxuga o suor da testa.
Ao abrir os olhos o POÇO DO MATO surge como por encanto a sua frente e suas águas jorram como faíscas prateadas lavando o céu.
Piedade é só alegria, suas companheiras não apareceram e ela agradece por não ter que dividir espaço com ninguém em busca da água. A negra furtiva e exausta da caminhada observa se alguém se aproxima, seu suor é forte nas entranhas, seu cabelo carapinha, e os calos nos pés são esquecidos por um momento e ela se entrega aos sonhos, sentada ao redor do POÇO DO MATO encantado, dos Campos do Laguinho.

O Moço branco de camisa engomada, perfume francês estende-lhe suas mãos, e Piedade não recusa seu convite, levanta assanhada, arruma os cabelos, ensaia seu sorriso mais branco, balança as cadeiras, empina os seios num frenesi e exclama: sou toda sua Sinhô!
O moço ergue-a do solo, levita com ela naquele cenário e Piedade emudece, os pássaros continuam a cantar, as arvores deslizam suavemente ao balançar do vento e a brisa que sopra não a desperta de seu sonho irreal.


O POÇO DO MATO é a única testemunha da Negra Piedade e cúmplice em seu prazer carnal. As horas são intermináveis e preocupam os seus patrões, seus conhecidos e os vizinhos da negra Piedade.

Escurece, a Rasga Mortalha solta seu grito ensurdecedor, o céu tem muitas estrelas, o vento é frio e o Poço do Mato assustador, negra Piedade não voltou, os moleques correm com lamparinas pelo mato, cachorros servem de companhia a procura de negra Piedade, e nem sinal dela. A noticia se espalhou, o seu sumiço é comentado em todas as esquinas, e em todos os bairros, a população que mora na Favela e no Elesbão ficam estarrecidos.

As lavadeiras e as carregadeiras de água junto com as moças virgens são proibidas de irem ao Poço do Mato sozinhas.
Por que?

Negra Piedade foi ENCANTADA no Poço do Mato dos Campos do Laguinho.


“Olha sinhô,
Olha sinhô
No poço do Mato
Essa Negra se encantou...”

TRIBUTO

(Memorial Poço do Mato, acervo Neca Machado)






TRIBUTO A PEROLA NEGRA
PIEDADE VIDEIRA

O Batuque que pulsa no olha dessa Negra.
É um batuque de sedução
O batuque que pulsa no olhar
É PIEDADE,
Piedade Senhor!
Peço remissão.

O batuque é raiz de uma raça contida
Que ela trás serena no olhar.
Peço PIEDADE por meus pecados
Piedade Senhor,
Piedade Senhor...

O Batuque vem de lá.
O batuque vem de lá
Vem de tão longe,
Vem de alem mar.

E as águas num vai e vem
Mar acima, MAR ABAIXO...
Trouxe esta negra
De tão longe, só pra nos encantar.

E eu volto a pedir Piedade,
Piedade Senhor,
Piedade Senhor,
E eu volto a pedir
Piedade,
Piedade SENHOR,
Piedade Senhor....

Pra onde tu vais rapaz
Por este caminho sozinho
Vou fazer minha morada
Lá nos campos do Laguinho...